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terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Sete dias passados, num sopro súbito, a morte, Má sorte dos vivos, o sorriso impreciso d’uma alma calou. Passou, afinal, a dor, o desconforto, a lástima forte, Mas do pai, tiete eterno, a dor não se apartou. No púlpito da sinagoga o abade assoma, Vê apenas candelabros, velas e um homem que ora. Não há
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Pela fresta da porta a triste mãe observa O filho que sobre o leito, em silêncio, agoniza. Do mal contido pranto, a lágrima ainda conserva Não escondendo a dor que no peito se eterniza. Ante à solidão do inconsolável drama Adentra a mãe, a ver de perto o mal que o consome. Posto que o
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
(à Ulisses Guimarães) Por águas gélidas insanas Em suas infladas frias, As ondas refletem em verso No despontar da poesia, Um epitáfio submerso Que sob a lua reluzia: Aqui jaz o jargão da semente Que outrora em palácios se via, Feneceu a seiva plena Do arbusto da democracia, Fulminou-se a derradeira chama O lume fúlgido
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
O poeta sai pela noite… A chuva ciosa cai E acompanha o poeta Onde o poeta vai? Cai como fêmea fogosa Cheia de impetuosidade Com traje coloidal Desvendando sensualidade. E o poeta caminha A chuva o observa E o poeta não vê Que a formosa malfazeja Com seus olhares confiscos Venera-lhe e o deseja. Tenebrosa
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Anunciem nos tablóides, Murais, saraus E em todos os noticiosos madrigais Que dentro deste opíparo coração Reina impoluta – E que eterna seja – A alegria de te amar assaz. Bradam a todos aturdidamente Que o meu grito é voejo da alma Pelo cupido flechada Com ternura tenaz. Um a um vão alardeando Que esta
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Alauch você não conhece, Nunca ouviu, não sabe o que é. Extraído do anonimato Para denominar aquilo que você Nega existir. É um nome sagrado Lapidado, Formalizado Para conceituar as razões Da ignorância humana. Alauch quer dizer mistério, Magia, Mania esboçada na mente dos sábios. Quer dizer enxovia Sombria, Fria Dos anjos rebeldes. Alauch pode
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Já se faz tarde E ao longe ainda posso avistar Um pedaço de mim Que se vai adentrando Na bruma cinzenta, Que audaciosamente vai se despertando Buscando aconchego No seio da tarde, Devorando o dia vorazmente Com sua gula sobrenatural. E lá vai o petiz Estonteante e reluzente Engolindo quilômetros. Vai a galope, Como se
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
Já perguntei para o vento, Para o frescor do relento E à cova do alecrim; Perguntei à cotovia À avalanche bravia Se gostas ou não de mim. Perguntei à madrugada, Ao pedregulho da estrada, À lâmpada de Aladim; Indaguei ao cão de raça E a estátua da praça Se gostas ou não de mim. Interroguei
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
De repente Um precipitado sobre a terra, Inquebrantável e rutilante Monstro branco Imolado Anjo dourado Devastador. Será um enigma do alto? Um aceno do fim? A volta do Soberano? Ledo engano. Caiu como um raio de luz Gizando o azul sideral Brilhou nos olhos de milhões. Um sinal sobre a face, Uma gota d’água na
terça-feira, 09 junho 2020 / Publicado em Poesias e Divagações
O teu coração é de porcelana! Ingrato, cruel, Tragado de fel Feriu quem te ama. O teu coração é de porcelana! Antes fosse de seda Do que a labareda Que em meu peito inflama. O teu coração é de porcelana! É oco, vazio, Igual peixe sem rio Ou núpcias sem cama. O teu coração é
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