Sete dias passados, num sopro súbito, a morte, Má sorte dos vivos, o sorriso impreciso d’uma alma calou. Passou, afinal, a dor, o desconforto, a lástima forte, Mas do pai, tiete eterno, a dor não se apartou. No púlpito da sinagoga o abade assoma, Vê apenas candelabros, velas e um homem que ora. Não há
(à Ulisses Guimarães) Por águas gélidas insanas Em suas infladas frias, As ondas refletem em verso No despontar da poesia, Um epitáfio submerso Que sob a lua reluzia: Aqui jaz o jargão da semente Que outrora em palácios se via, Feneceu a seiva plena Do arbusto da democracia, Fulminou-se a derradeira chama O lume fúlgido
O poeta sai pela noite… A chuva ciosa cai E acompanha o poeta Onde o poeta vai? Cai como fêmea fogosa Cheia de impetuosidade Com traje coloidal Desvendando sensualidade. E o poeta caminha A chuva o observa E o poeta não vê Que a formosa malfazeja Com seus olhares confiscos Venera-lhe e o deseja. Tenebrosa
Anunciem nos tablóides, Murais, saraus E em todos os noticiosos madrigais Que dentro deste opíparo coração Reina impoluta – E que eterna seja – A alegria de te amar assaz. Bradam a todos aturdidamente Que o meu grito é voejo da alma Pelo cupido flechada Com ternura tenaz. Um a um vão alardeando Que esta
Alauch você não conhece, Nunca ouviu, não sabe o que é. Extraído do anonimato Para denominar aquilo que você Nega existir. É um nome sagrado Lapidado, Formalizado Para conceituar as razões Da ignorância humana. Alauch quer dizer mistério, Magia, Mania esboçada na mente dos sábios. Quer dizer enxovia Sombria, Fria Dos anjos rebeldes. Alauch pode
Já se faz tarde E ao longe ainda posso avistar Um pedaço de mim Que se vai adentrando Na bruma cinzenta, Que audaciosamente vai se despertando Buscando aconchego No seio da tarde, Devorando o dia vorazmente Com sua gula sobrenatural. E lá vai o petiz Estonteante e reluzente Engolindo quilômetros. Vai a galope, Como se
De repente Um precipitado sobre a terra, Inquebrantável e rutilante Monstro branco Imolado Anjo dourado Devastador. Será um enigma do alto? Um aceno do fim? A volta do Soberano? Ledo engano. Caiu como um raio de luz Gizando o azul sideral Brilhou nos olhos de milhões. Um sinal sobre a face, Uma gota d’água na
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